quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Hino ao Padre Alderigi

Como parte dos festejamentos pelos 35 anos de falecimento do Servo de Deus, celebrados ontem em Santa Rita de Caldas, foi apresentado aos fiéis devotos um hino pedindo a beatificação do Padre Alderigi Maria Torriani.

Este hino foi composto, em sua letra e música, pelo Pe. Donisete Aparecido Vitorio, que exerce seu ministério sacerdotal na diocese de Catanduva, SP. Pe. Donisete é conhecido por ter composto, com profundidade e maestria, diversos hinos e cânticos para as celebrações da Eucaristia e dos Santos.

Em poucos dias, Pe. Donisete compôs o hino ao Padre Alderigi e ofereceu-o como dom ao Postulador da Causa.

Manifestamos, publicamente, nossa gratidão a este caro irmão sacerdote por seu carinho para com o nosso querido Servo de Deus e por ter-nos oferecido esta composição que, em cada um de seus versos, delineia os traços fundamentais da personalidade e do ministério do Padre Alderigi.

Seguindo as notas inspiradas e festivas do Pe. Donisete, que colocam o povo em marcha para Deus, queremos olhar para o Pai dos céus e pedir que nos conceda a grande graça da beatificação do Servo de Deus Padre Alderigi!

Eis a música e a letra:




HINO PEDINDO A BEATIFICAÇÃO DO PADRE ALDERIGI
Letra e Música: Pe. Donisete Aparecido Vitorio

Santa Rita de Caldas ajoelhada
Pede a Deus em fervorosa oração:
Que o céu conceda ao Padre Alderigi
A grande graça de sua beatificação.

1-Grande astro reluzente de bondade
   Refletindo os sentimentos do Senhor;
   Acolhendo peregrinos com carinho
   Foste o Apóstolo do afeto e do amor.

2-Tua vida expressada em teu sorriso,
   É a razão do teu afeto e gratidão;
   Santa Rita de Caldas, teu rebanho,
   Eis a causa de tua dedicação.

3-Um apóstolo curando corações,
   Assim ages dentro de um confessionário;
   Cada homem é uma nação a conquistar
   És alí um verdadeiro missionário.

4-Foste o ouvido e a mão do Pai celeste,
   O socorro e o pão do pobre a esperar;
   Teus bilhetes aos pés de Santa Rita:
   Por tua fé, a Providência os vem pagar.

5-Quanto tempo passou Padre Alderigi,
   Sua fama em santidade se espargiu;
   Toda a nossa arquidiocese assim deseja,
   Tê-lo santo nos altares do Brasil.



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A morte de Padre Alderigi: 35 anos na casa do Pai

Há exatamente 35 anos, uma notícia trouxe tristeza e angústia ao coração do povo de Santa Rita de Caldas: falecera o bom e querido Padre Alderigi Maria Torriani. Para aqueles que conheceram aquele bom velhinho, aquela dia trouxe consigo o sentimento da perda de um pai, de um irmão, de um amigo. De fato, ao longo de seus 82 anos de idade, Padre Alderigi, como pastor incansável, soube fazer-se tudo para todos.

35 anos depois, o sentimento que toca o coração dos santarritenses e dos devotos deste grande Servo de Deus não é mais aquele da tristeza, mas sim aquele da alegria, pois cada vez mais sentimos o Padre Alderigi perto de nós, através dos exemplos de vida cristã que ele deixou.

Sua fama de santidade, que era já grande em vida, espalhou-se por todo o Brasil e mesmo para fora de nosso país. Muitos são os devotos que, ao olhar para o semblante sereno daquele bom pároco, encontram a paz, a serenidade e o amor que provém de uma só pessoa: Jesus Cristo, a quem o Padre Alderigi tanto amou.
Multidão leva o caixão do Servo de Deus para o cemitério
03 de outubro de 1977

Neste dia 03 de outubro, Santa Rita de Caldas se regozija e faz festa do jeito que o Padre Alderigi gostava: com muita oração e com o sacramento da confissão. De fato, hoje, no Santuário, o Santíssimo Sacramento encontra-se exposto para a adoração dos fiíes. Além disto, vários sacerdotes estão ali presentes para atender em confissões os penitentes arrependidos.

Este dia festivo será coroado com a celebração da Santa Missa, presidida pelo Ex.mo Sr. Arcebispo Metropolitano, Dom Ricardo Pedro e concelebrada por diversos sacerdotes.

Ao final desta solene Eucaristia, Dom Ricardo Pedro receberá o juramento dos novos membros do Tribunal e da Comissão Histórica, os quais são os responsáveis pelo andamento da Causa de Canonização na fase diocesana. Com estes novos membros, esperamos que, brevemente, a documentação seja finalizada e enviada ao Vaticano para ser julgada pelos peritos da Congregação das Causas dos Santos.

Aos que estão perto de Santa Rita de Caldas fazemos o convite de participar destas solenidades!

Aos que estão distantes, fazemos o convite para que rezem e agradeçam a Deus por ter passado tão mansamente no meio de sua Igreja através do Padre Alderigi.

É momento de apresentar a Deus as nossas orações, pedindo a intercessão do Padre Alderigi, sobretudo para os doentes, para os sofredores do corpo e da alma, para os desempregados, pelos jovens, pelas famílias em dificuldades, pela conversão dos pecadores, pelas vocações sacerdotais e religiosas, por todos os necessitados.

Deus, que é Pai e nunca se esquece de seus filhos, há de ouvir nossos pedidos por intercessão de seu querido filho o Servo de Deus Padre Alderigi!

Reze agora, com muita confiança:




Ó Deus, Uno e Trino, que, em vossa infinita bondade, inspirastes a vosso servo Alderigi, sacerdote exemplar, um grande desejo de santidade e o cumulastes de tantas graças, concedei-me imitar seu ardente amor ao Santíssimo Sacramento, sua devoção filial a Maria Santíssima, sua entrega total ao serviço da Igreja, seu espírito de sacrifício, seu zelo pelas vocações sacerdotais e religiosas e sua dedicação generosa para com os pobres. Senhor, eu vos peço, em conformidade com vossa santíssima vontade, que ele seja incluído no número dos vossos santos e que, por sua intercessão, eu venha a alcançar a graça que solicito (apresente a Deus a graça que deseja receber). Amém.


Pai nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.





sábado, 19 de março de 2011

Ordenação Diaconal

O diácono José Francisco,
em Santa Rita de Caldas
Na manhã deste dia 19 de março, solenidade de São José, foi celebrada a ordenação diaconal do seminarista José Francisco Ferreira, que é um dos colaboradores na Causa de Canonização do Servo de Deus Padre Alderigi.

Proveniente da Arquidiocese de Belo Horizonte, o diácono José Francisco foi acolhido na Arquidiocese de Pouso Alegre e faz o seu estágio pastoral em Santa Rita de Caldas.

A Santa Missa foi presidida pelo Arcebispo Emérito de Belo Horizonte, o Cardeal Serafim Fernandes de Araújo. Contou com a presença de Dom Ricardo Pedro, Arcebispo Metropolitano, de diversos sacerdotes e fiéis.

Pedimos a São José que interceda pelo novo diácono, a fim de que, seguindo o seu exemplo, viva o ministério em profundo amor e obediência à vontade de Deus.

Rezamos também para que o Senhor da Messe suscite no coração de muitos jovens a generosa disposição de doar sua vida a Ele, no serviço aos irmãos como fez o querido Padre Alderigi.

segunda-feira, 14 de março de 2011

"Já fez a sua Páscoa?"

Padre Alderigi
na porta do Santuário de Santa Rita
Quem visitava o Santuário, em Santa Rita de Caldas, não encontrava somente o Bom Senhor, mas encontrava também o Monsenhor. De fato, além do Santíssimo Sacramento, estava sempre presente, especialmente nas primeiras sextas-feiras e domingos, o bom pároco Padre Alderigi. Ficava ali o dia inteiro e não saía nem para comer. Dona Zélia, a governanta da casa paroquial, levava algo para que comesse dentro da igreja, pois ele dizia que, se saísse, alguém poderia vir procurá-lo e não o encontraria.

Ficava, normalmente sentado, no confessionário, à espera dos penitentes desejosos de confissão. Enquanto esperava, rezava o breviário ou o terço. Lá de dentro, ele percebia quem entrava na igreja e, se não houvesse alguém na fila, dizia logo: "Já fez a sua páscoa? Venha se confessar!" Do mesmo modo, se algum grupo de romeiros chegasse e pedisse a bênção para si ou para os objetos de piedade, Padre Alderigi os acolhia e convidava, antes da bênção, a fazer a confissão.

No interior do Santuário de Santa Rita
Padre Alderigi foi um homem do confessionário, sempre disponível a atender as confissões dos fiéis. Mas, foi também alguém que, freqüentemente, se aproximava deste sacramento. Sempre que encontrava um outro padre, pedia para confessar-se, mesmo não tendo cometido pecados graves.

Por que Padre Alderigi cultivava tão grande amor a este sacramento? Creio que a resposta pode ser encontrada em duas profundas verdades: todos somos pecadores e somente Jesus Cristo é o médico que pode dar-nos a cura.

O Servo de Deus costumava dizer que "muitas são as ofensas a Deus, mas pouca a reparação". Ele sabia que o nosso pecado ofende a Deus, pois quando pecamos dizemos um forte não a toda oferta de amor e de salvação que Deus nos faz. Tinha consciência de que o pecado é uma doença silenciosa e que, se encontra espaços na alma, é capaz de corroer toda a vida de relacionamento com Deus e com as outras pessoas.
Quadro de Jesus Misericordioso

Mas, esta triste realidade do pecado nunca fez Padre Alderigi perder a esperança! Ele sabia que temos um Médico poderoso e capaz de curar todos as nossas doenças espirituais. O próprio Jesus afirmou: "As pessoas que têm saúde não precisam de médico, só as doentes. Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores" (Lc 5,31-32). Deste modo, no sacramento da confissão se realiza o encontro entre o pecador e o Salvador, entre a pessoa sem saúde e o Médico que perdoa e cura.

Confessar-se com um sacerdote significa mostrar ao Médico Jesus a sua ferida, ainda que seja feia ou cheire mal. A vergonha ou o medo não devem ser impedimentos para uma abertura total do coração a Deus! Quanto mais abertamente se fala do pecado cometido, mais oportunidade se dá ao médico de curar-nos. Santo Agostinho diz: "Deus cura todas as enfermidades. Então, não tenhas medo: todas as tuas enfermidades serão curadas. E se dizes que estas são grandes, saibas que maior é o médico que as cura. Para um médico de poder infinito não existe nenhum mal incurável. Tu deves somente permitir que Ele te cure e não deves impedir as suas mãos, pois Ele sabe bem aquilo que precisa fazer".

Neste tempo de Quaresma, eu o convido a ouvir novamente a pergunta de Padre Alderigi: "Já fez a sua Páscoa?", Já se preparou, através da confissão, para receber a Santa Eucaristia? Já se confessou para celebrar bem a Ressurreição de Jesus? Já permitiu ao Médico das almas que cure e dê vida nova à sua vida?

Se você ainda não se confessou, ainda há tempo! Vale a pena fazer um bom exame de consciência, com a coragem de olhar no profundo do seu ser e com a decisão de mudar de vida, deixando de lado o pecado. Vale a pena procurar um sacerdote, confessar os pecados e experimentar a graça divina em sua vida. Vale a pena deixar que o Médico cure o suas dores e o faça participante de sua Ressurreição!




sexta-feira, 11 de março de 2011

Mensagem do Papa para a Quaresma - 3ª Parte



3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Batismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projetos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Batismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de fato, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.

Mensagem do Papa para a Quaresma - 2ª Parte


2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é batizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Ef 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».


Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas batismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à ação da Graça para sermos seus discípulos.

Mensagem do Papa para a quaresma - Última parte


Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Batismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.

Vaticano, 4 de Novembro de 2010


BENEDICTUS PP. XVI

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